Que seja doce!

"...Então, que seja doce. Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o cinza dos dias, bem assim: que seja doce. Quando há sol, esse sol bate na minha cara amassada do sono ou da insônia, contemplando as partículas de poeira soltas no ar, feito um pequeno universo, repito sete vezes para dar sorte: que seja doce que seja doce que seja doce e assim por diante..." Caio.

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08 junho 2007

I - Do ônibus aos domingos

Cada vez que o onibus se aproximava era aquela dor dilacerante.
Ela ficava espremendo as palpebras uma contra a outra... e se concentrava para nao chorar.
Ficava com os olhos aquosos. Mas nada dizia.
Ela era uma menina que tinha medo de assalto, verdade, mas não tinha de barata, de ver o seu time perdendo, embora morresse um pouquinho cada vez que davam o abraço na despedida.
Aquele maldito letreiro neon sempre vinha cortar-lhe a felicidade, gritava assim: " Ok estupida, o seu sonho esta acabando, vamos para PEDRO LEOPOLDO".
O beijo da despedida já guardava a maior saudade do mundo, mesmo estando um ao lado do outro ainda.
O abraço de despedida era um abraço triste.
Uma coisa assim esquisita. Nao era nada certo.
Como se morria por dentro. Como se morre por dentro.
E as pessoas do dia a dia sequer percebem que longe dele ela quase não sorri...não acha todas as coisas belas. Tampouco divertidas.
Nada longe dele fazia sentido e ela ficava com a cabeça debruçada na mesa esperando um outro dia, um dia em que nao houvesse acenos de "tchau tchau".
Durante a looooongo semana ela pensa que o mundo é cruel, e que todos são feios, amargos...
Mas quando se aproxima o esperado final de semana ela sorri. E ele a embala pra longe daquela ranzinza solidão.

P.S- Porque eu morro de saudades de você a semana inteira...

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